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ENTREVISTA Clóvis do Nascimento: As principais bandeiras da gestão de um experiente e dedicado engenheiro à frente do SENGE-RJ

  • guilhusco5
  • há 1 dia
  • 7 min de leitura

A gestão de Clóvis Francisco do Nascimento Filho (2025/2028)  à frente do SENGE/RJ completa um ano neste mês de abril. O Sindicato é cliente do nosso escritório Machado Silva Advogadas e Advogados há duas décadas. A presidência não é uma novidade para o engenheiro civil e sanitarista, que está sindicalizado desde 1980. Ele já presidiu o SENGE em 2001 e, durante alguns outros mandatos, ocupou diferentes diretorias.


Com um currículo invejável (veja box) e muitas ideias na cabeça, Clóvis do Nascimento concedeu entrevista à jornalista Duda Hamilton, da Dfato Comunicação. Ele abordou temas imprescindíveis, como os desafios e as principais bandeiras de sua gestão; a preocupação com os engenheiros mais jovens; a CLT, a Inteligência Artificial e a participação nas lutas contra as privatizações do setor público.


Além disso, discorreu sobre as principais ações realizadas nos 12 primeiros meses da sua diretoria. Sem fazer profundas mudanças na estrutura do Sindicato, o presidente ressalta que há novos horizontes e que sua diretoria está pronta para eles. Acompanhe abaixo a entrevista. Boa leitura!



BOX

Quem é Clóvis do Nascimento

Engenheiro Civil e sanitarista, Clóvis do Nascimento é  pós-graduado em Políticas Públicas e Governo, e aposentado pela CEDAE/RJ (Companhia Estadual de Águas e Esgotos), onde atuou por 47 anos. Exerceu vários cargos na companhia, com destaque para o de diretor Administrativo. Foi também subsecretário de Estado de Saneamento e Recursos Hídricos do Rio de Janeiro e diretor Nacional de Água e Esgotos da Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades.  

O engenheiro desempenhou ainda a presidência nacional da ABES (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental) por dois mandatos e presidiu a Fisenge (Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros).




M/S - Quais os principais desafios de sua gestão?

Clóvis Francisco do Nascimento Filho - O principal desafio é participar da luta pela implantação da nova política sindical brasileira. Essa nova política precisa ser discutida e aprovada, para, finalmente, curar o ferimento de morte causado no movimento sindical pelo governo de Michel Temer (agosto 2016/dezembro de 2018). Há, ainda, os desafios do nosso tempo. Discutimos e promovemos o debate público — com a participação de especialistas de diferentes áreas — sobre como o sindicato, que representa profissionais da área tecnológica, irá tratar das questões impostas por tecnologias como a IA (Inteligência Artificial).


Outra dificuldade a ser enfrentada é a comunicação. O movimento sindical ainda patina no uso eficiente das redes e mídias sociais, importantes para aumentar a nossa visibilidade. Precisamos, no entanto, estar alertas para a contradição envolvida neste processo, em que os donos das plataformas digitais representam muito do que combatemos, como a precarização do trabalho e a desigualdade na relação entre capital e trabalho.


0 esvaziamento de quadros das gerações mais jovens vem sendo

enfrentado, mas carece de capilaridade, pois precisamos chegar a mais

jovens engenheiros e estudantes de engenharia. Sem eles, o país não será

capaz de colocar em prática o plano Nova Indústria Brasil; não

conseguiremos desenvolver o país e explorar suas potencialidades como

merecemos e o governo planeja.


Outro grande desafio é colaborar na construção da consciência crítica necessária para que a reestatização do sistema elétrico nacional volte a ser prioridade. Além disso, defendemos que, sem a garantia da segurança de nossos dados, jamais seremos soberanos. Mais do que nunca, temos o desafio de cumprir nosso papel de compor o tecido social que denuncia e combate o fascismo e sua política neoliberal de medo e ódio ao diferente, de colonialismo e de domínio de mentes e corações.


“O movimento sindical será fundamental para superar o fascismo global ao lado dos movimentos sociais e partidos progressistas”


 

M/S - Quais as principais bandeiras da sua gestão?

C.N. – Nossa gestão é de continuidade dos trabalhos que já vinham sendo realizados pelo SENGE-RJ. Por isso, nossos objetivos estão na manutenção e no aprofundamento das iniciativas do sindicato. Entre as prioridades estabelecidas no nosso planejamento estratégico, desenvolvido em parceria com o Dieese, estão:

  1. Promover programa de sindicalização;

  2. Desenvolver programa sociocultural no SENGE/RJ;

  3. Reestruturar as diretorias Jurídica e de Negociações Coletivas;

  4. Promover a revisão do estatuto e do Regimento Interno do SENGE/RJ;

  5. Celebrar contrato com vistas a oferecer um bom plano de saúde em modelo de autogestão, sem fins lucrativos, para os associados e seus dependentes;

  6. Promover cursos de reciclagem, aperfeiçoamento e formação profissional em novas tecnologias para os nossos associados e profissionais;

  7. Intensificar a participação nas lutas contra as privatizações do setor público brasileiro;

  8. Reestruturar o movimento SOS Brasil Soberano (https://sosbrasilsoberano.org.br/) e o Soberania em Debate (https://www.youtube.com/sosbrasilsoberano), nosso programa semanal no YouTube;

  9. Promover uma campanha institucional do SENGE/RJ junto às universidades públicas e privadas;

 


M/S - Cite alguns avanços ocorridos neste seu primeiro ano de gestão?

C.N. - Nestes primeiros 12 meses realizamos o nosso planejamento estratégico para o triênio; participamos de várias mesas de negociação, com êxito na maioria delas; promovemos alguns eventos políticos e  debates com o ex-ministro e advogado Tarso Genro, o professor Boaventura Santos, Hildegard Angel, João Pedro Stédile, do MST, e Daiane Santos. Também continuamos com as entrevistas do Soberania em Debate e do SOS Brasil. Além disso, neste período obtivemos importantes vitórias na área jurídica.


M/S - Quais foram essas vitórias jurídicas, pode citar alguma? 

C.N. - Três processos foram muito relevantes, ainda que não estejam totalmente finalizados na fase do mérito.

1 - Processo chamado de sucessão trabalhista, que movemos em face da Eletrobras (hoje, AXIA Energia). Tal processo assegurou, liminarmente, a garantia de emprego de engenheiros e engenheiras, que foram (ou ainda serão) transferidos para a empresa ENBPar, que é a responsável pelo controle da Eletronuclear, da INB e da Itaipu Binacional.


2-  Um segundo processo de banco de horas movido em face da extinta Furnas (também AXIA agora). Já tínhamos vencido um primeiro processo com abrangência temporal entre 2007 e 2017, anulando o banco de horas para que todas as horas positivas sejam pagas como extras. Agora ganhamos um segundo processo, com o mesmo objeto, mas com a contagem inicial a partir de 2018 e até a presente data.


3- Processo para o pagamento das diferenças dos valores apurados nos processos dos bancos de horas (item 2, acima), na previdência complementar privada, ou seja: como o valor do salário de engenheiros e engenheiras aumentou por conta do pagamento das horas extras, as diferenças apuradas sob tal rubrica devem ser calculadas para fins de recálculo do valor da previdência privada.



M/S- Como serão tratados os assuntos jurídicos na sua gestão? 

C.N. - A área jurídica continuará sendo uma das nossas prioridades centrais. Temos conquistado vitórias judiciais expressivas, garantindo o cumprimento integral dos direitos da nossa categoria. À medida que o mercado radicaliza na exploração e em práticas que desumanizam o trabalhador e a trabalhadora, direitos fundamentais acabam atropelados.

Quando a negociação coletiva não soluciona o conflito, ajuizamos processos coletivos para que a Justiça exija o cumprimento das obrigações das empresas. 

No final de 2025 ampliamos nosso suporte jurídico por meio de uma parceria com um escritório especializado em Previdência e direitos de PCDs. Assim, teremos um atendimento ainda mais completo aos nossos associados.


M/S - Qual a importância hoje de um engenheiro ser sindicalizado?

C.N. - O SENGE/RJ tem uma frase que define muito bem essa questão: "Não fique só, fique sócio do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro". Isto quer dizer que o engenheiro não deve lutar sozinho, a luta deve ser coletiva. Para a classe trabalhadora, para o engenheiro e a engenheira que estão no mercado, ou caminhamos juntos, ou não avançamos jamais.

 

Organizados em sindicatos, os profissionais passam a ter apoio jurídico e institucional para negociações que buscam, ano a ano, melhorar as suas condições de vida”.


M/S – Como está a troca de experiências entre os novos engenheiros e os mais experientes?

C.N. - O desafio geracional do nosso tempo é grande, pois o sindicalismo de hoje é confrontado por décadas de ideologia neoliberal, que transbordou pelas telas, invadiu salas de aula e prometeu o sucesso por um caminho puramente individual.

O SENGE-RJ encontrou uma via de aproximação ao apoiar iniciativas de cunho social dentro das universidades. Nosso parceiro é o Coletivo Força Motriz @coletivoforcamotriz, um escritório modelo de alunos da UFRJ dedicado a ajudar universitários periféricos e negros a superar os desafios da formação. Juntos, realizamos o Curso André Rebouças @coletivoforcamotriz, cujas aulas gratuitas atraem estudantes de diversas instituições.

Além de matérias desafiadoras, como Cálculo, o curso debate política, desenvolvimento e a importância da participação em entidades de classe, explicando o papel do conselho, do sindicato e das associações. Também atuamos juntos no apoio aos movimentos pela moradia popular. Enquanto os calouros são apresentados à luta da classe trabalhadora entre aulões e intensivos para provas, os coordenadores do projeto, mais próximos da formatura, integram-se ao sindicato.

 

“Nossa gestão já conta com diretores combativos que chegaram justamente por meio do Coletivo Força Motriz e do Curso André Rebouças”.

 


M/S- Pesquisas apontam que os jovens não enxergam a CLT como benefício. A diretoria tem algum programa para esclarecer sobre a CLT?

C.N. – No ano passado, a comunicação do SENGE-RJ ouviu futuros profissionais sobre suas expectativas. Todos os entrevistados apontaram a “pejotização” como a principal preocupação. É natural que assim seja, não só pelo avanço desse modelo, mas porque, na engenharia, os direitos garantidos pela CLT superam em muito o rendimento líquido de um profissional que presta serviços como Pessoa Jurídica. Um levantamento do Dieese confirmou que o setor no RJ ainda oferece vagas atraentes em empregos de alto nível sob o regime celetista.

 

Essa percepção de que o jovem não quer a CLT é fruto de uma confusão: o que os jovens não querem é o trabalho precarizado. Infelizmente, a legislação foi fragilizada ao longo do tempo, e permite, por exemplo, a jornada 6x1, que agora lutamos para derrubar com o apoio do governo federal. 


 O avanço do neoliberalismo criou uma realidade em que a superexploração, o assédio moral e os salários injustos ocorrem mesmo sob o regime formal. Com isso, muitos acabaram culpando a legislação pelo abuso do empregador.

 

“Esclarecer aos mais jovens que a CLT é o escudo, e não o problema, é o nosso grande desafio”.

 

M/S - Algum novo horizonte? Novas gerações na diretoria?

C.N. – Se esta pergunta fosse feita até pouco tempo atrás, a resposta talvez fosse não. Mas este terceiro governo Lula abriu, sim, novos horizontes. Eles podem ser vislumbrados em números e dados da realidade. Em 2024, por exemplo, o número de trabalhadores sindicalizados cresceu 9,8% após anos de retração, chegando a 9,1 milhões de pessoas, de acordo com dados da Pnad Contínua do IBGE.

Uma pesquisa encomendada pela Fundação Perseu Abramo, com o apoio do Dieese e do Fórum das Centrais Sindicais, revelou, em janeiro deste ano, que 68% dos trabalhadores consideram importante ou muito importante o papel dos sindicatos na garantia de direitos e na melhoria das condições de vida e de trabalho.

O capitalismo tardio vem escancarando a luta de classes, tirando cada vez mais pessoas da anestesia imposta desde a década de 1990. Dirigentes das gerações mais jovens já estão entre nós, construindo a luta na prática. A ampla maioria das campanhas salariais vem alcançando ganho real em todo o Brasil. Há novos horizontes e estamos prontos para eles.


 
 
 

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